Há um tipo de viajante que fecha o processo antes de partir. Reserva o apartamento, marca as datas no calendário, descarrega os mapas offline. Não é ansioso: é simplesmente mais livre quando chega ao destino. Este artigo foi escrito para ele — e para quem gostaria de se assemelhar a ele. Três dossiês, três respostas concretas, uma cidade escalígera e o lago mais amado de Itália.
Dossiê 1 — Tocatì 2026: as datas oficiais e por que vale a pena antecipar
O festival realiza-se na sexta-feira 18, sábado 19 e domingo 20 de setembro de 2026 no bairro de Veronetta, na margem direita do Adige. O convidado de honra desta edição é a Irlanda, com os seus jogos tradicionais, músicas e danças. Não é um pormenor menor: todos os anos a delegação muda completamente o registo sonoro e visual do festival.
Durante três dias, este evento reconhecido pela UNESCO traz ao centro histórico de Verona comunidades de toda a Itália e da Europa para demonstrar, ensinar e celebrar os jogos populares que moldaram as identidades regionais ao longo de séculos. O nome — Tocatì — vem do dialeto veronês e significa "é a tua vez": um convite que o festival leva muito a sério.
O conselho prático: o sábado à tarde e o domingo são os momentos de maior afluência de público. Chegar na sexta-feira ou nas primeiras horas da manhã garante uma atmosfera mais recolhida, ainda que a energia dos momentos mais movimentados tenha um encanto todo seu. A entrada é gratuita e não requer reserva. O centro histórico é completamente percorrível a pé, embora calçado confortável faça diferença nas pedras de paralelepípedos.
Quem fica alojado no centro — em Veronetta ou nas imediações — tem a vantagem de poder regressar a pé depois do jantar, quando as praças ainda perfumam de jogo e música celta.
Dossiê 2 — Garda sem carro: como funciona realmente em 2026
O trânsito no Lago de Garda no verão é um facto, não uma hipérbole. O Garda corre o risco de se tornar vítima do seu próprio sucesso: sem uma visão estratégica, a própria experiência dos turistas fica comprometida. A boa notícia é que em 2026 as alternativas ao carro existem, estão operacionais e — em alguns casos — são mais rápidas do que o transporte privado.
No lado trentino, regressa também em 2026 o serviço Bus&Go, o minibus a pedido ativo nos municípios de Arco, Riva del Garda e Nago-Torbole, em colaboração com a Trentino Trasporti. Depois de ter transportado quase 56.000 pessoas em 2025, o serviço retoma a 29 de maio com funcionamento até 31 de dezembro. A 17 de junho regressa também a Rivetta, a ligação entre o parque de estacionamento Rivetta/Baltera e o centro de Riva del Garda, com as praias acessíveis rapidamente deixando o carro fora da zona congestionada.
No lado lombardo, a estratégia aposta na água. A Navigazione Laghi apresentou um plano industrial 2025–2029 de quase 120 milhões de euros para reforçar a navegação pública e torná-la uma alternativa concreta ao uso do automóvel. Só em 2024, cerca de 100.000 veículos foram retirados das estradas graças ao serviço de linha lacustre.
A fórmula mais eficiente para quem parte de Verona: comboio Verona–Peschiera del Garda (cerca de 15 minutos, com frequências elevadas), depois barco em direção às localidades do lago. Sem filas, sem estacionamento pago, chegada direta ao passeio junto ao lago.
Dossiê 3 — Três vielas de Verona que nenhum guia assinala verdadeiramente
Quem fica alojado no centro tem uma vantagem que vale mais do que qualquer aplicação: o tempo das primeiras horas da manhã, quando o centro histórico ainda pertence aos veroneses. Três cantos para adicionar à lista, por ordem do comprimento do percurso.
O Volto Barbaro, entre Piazza delle Erbe e via Pellicciai. Entre Piazza delle Erbe e Piazza dei Signori abre-se uma passagem estreita conhecida como Volto Barbaro, uma das vielas mais antigas da cidade. O nome deriva de uma misteriosa cabeça esculpida na pedra, embutida na parede e observada durante séculos com curiosidade e temor. Esta viela é também recordada por um episódio dramático: foi aqui que em 1277 foi assassinado Mastino I della Scala. Duração do desvio: dois minutos e meio. Impacto: fica na memória durante dias.
Corticella Vetri, no coração de Veronetta. Percorrendo o Vicolo Vetri chega-se à Corticella Vetri: uma pequena praça pública com um poço e uma oliveira, paredes de pedra — parece que se regressou no tempo. Os turistas não chegam até aqui — os que chegam muitas vezes perderam o caminho. É pública, silenciosa e, durante o Tocatì, torna-se o contraponto perfeito ao ruído das praças principais.
A Fondazione Miniscalchi Erizzo, perto de Piazza delle Erbe. Numa viela quase anónima a dois passos de Piazza delle Erbe encontra-se a Fondazione Miniscalchi Erizzo. Quem a visita durante a semana muitas vezes se encontra como único visitante, livre de percorrer a sós as onze salas mais o átrio: arqueologia, livros, armaduras, arte sacra — tudo no mesmo palácio. O pormenor que surpreende: há ícones russos. Parecem deslocados, mas a antiga família Miniscalchi era uma importante colecionadora de arte.
Quando é melhor visitar as vielas?
Antes das 9:00 ou depois das 18:00. O centro histórico muda de registo: desaparecem os grupos com o guarda-sol, chegam os veroneses com o café.
O Tocatì é adequado para crianças?
Sim, é pensado para todas as idades. Os jogos tradicionais aprendem-se no terreno, com instrutores das comunidades convidadas. Sem reserva, sem custos.
Como se chega ao Garda a partir de Verona sem carro?
Comboio Verona Porta Nuova–Peschiera del Garda (cerca de 15 minutos, frequências a cada 30–60 minutos). A partir de Peschiera, barco de linha em direção a Sirmione, Bardolino, Torri del Benaco. Bilhetes integráveis online.
Para a sua estadia em Verona em setembro — ou em qualquer outro período — os apartamentos de The Verona Stay situam-se no coração do centro histórico: perto da Arena e do Teatro Ristori, a poucos passos das vielas descritas acima e da estação para o Garda.