Já pensou em combinar um queijo de malga e uma taça de Amarone na mesma tarde, partindo de Verona de manhã? A resposta é sim — mas só funciona se reservar antes. Veja como se constrói, passo a passo, um dos percursos gastronómicos mais originais da região veronesa.
Monte Veronese de malga: por que reservar com antecedência (e por que vale a pena)
O Monte Veronese DOP de malga é um dos queijos mais raros de Itália. A produção é extremamente limitada: cerca de 5.000 formas por ano, concentradas no período estival, quando as malghe estão ativas. A sua produção está ligada à subida dos rebanhos para os pastos da Lessinia, e deve ocorrer no período que vai de finais de maio até setembro. Estamos exatamente no momento certo: o verão de 2026 é a janela ideal para encontrar as malghe ativas e os queijeiros abertos à visita.
O Presidio Slow Food do Monte Veronese d'allevo di malga reúne quatro queijeiros e malghe empenhados em produzir queijo exclusivamente com leite de alpagem. As formas de Monte Veronese d'allevo distinguem-se graças a uma marca — o "M" de malga — aplicada a fogo na face lateral da forma, ao lado da da DOP.
O ponto crítico: a malga está aberta no verão e nos dias festivos, mas também noutros dias mediante reserva para grupos e reuniões de família. Nada de improvisação, portanto. Contacte a estrutura escolhida com pelo menos uma semana de antecedência, especialmente nos fins de semana de julho e agosto. No período estival, de junho a finais de setembro, as malghe abrem ao público também para a venda de produtos lácteos como o queijo Monte Veronese, o queijo curado, a ricotta fresca e fumada.
Como chegar: Lessinia e Valpolicella num dia a partir de Verona
O itinerário articula-se em duas etapas verticais: sobe-se à Lessinia de manhã para visitar o queijeiro, e desce-se à Valpolicella à tarde para a adega. A logística requer carro próprio — é a solução mais eficaz para ligar os dois territórios sem perder horas.
De carro — Etapa 1 (Lessinia): De Verona a Bosco Chiesanuova — coração da Lessinia — percorrem-se cerca de 33 km, com um tempo médio de 41 minutos. A estrada principal é a SP6, que sobe a Valpantena. Estacionamento gratuito diretamente junto às malghe. Nenhuma ZTL na zona de montanha: circula-se livremente.
De carro — Etapa 2 (Valpolicella Classica): Da Lessinia, descendo em direção à Valpolicella, toma-se a saída A22 Verona Nord para chegar a San Giorgio di Valpolicella, Fumane ou Negrar pela SP13. A Valpolicella Classica engloba os cinco municípios de Marano di Valpolicella, Fumane, Negrar, Sant'Ambrogio di Valpolicella e San Pietro in Cariano. Entre uma adega e outra, as distâncias são curtas: 10–15 minutos de carro no máximo.
De autocarro (alternativa): Da Verona Porta Nuova partem autocarros diretos para Bosco Chiesanuova geridos pela ATV; o custo ronda os 4 a 5 euros. Para a Valpolicella será necessário um táxi ou aluguer de carro: a rede pública não liga facilmente as duas zonas no mesmo dia.
A combinação: o que esperar no copo e no prato
O Monte Veronese não é um queijo único: existem duas identidades. A DOP compreende duas tipologias — a latte intero e d'allevo, ambos de pasta semicozida. O latte intero consome-se mais fresco; o d'allevo é produzido com leite parcialmente desnatado.
A combinação com os vinhos da Valpolicella segue uma lógica precisa. Para acompanhar o Monte Veronese a latte intero é adequado um vinho frutado como o Valpolicella Classico. Ao Monte Veronese d'allevo, enquanto queijo curado, adapta-se o Amarone della Valpolicella Classico. Quando bem curado, torna-se um excelente queijo para ralar, perfeito com tintos estruturados ou vinhos passitos como o Valpolicella ou o Amarone.
Nas adegas da Valpolicella Classica, algumas apostam em visitas técnicas, outras em combinações gastronómicas ou passeios entre as vinhas. Numa só jornada, duas adegas são muitas vezes o número certo se se incluírem visitas completas e provas guiadas. Concentre-se na área entre San Pietro in Cariano, Fumane, Marano e Negrar, que concentra muitas visitas em distâncias reduzidas.
Dica de local: pergunte na adega se têm uma tábua de queijos da Lessinia. Algumas adegas como a Tenuta Santa Maria Valverde propõem provas acompanhadas por um prato de enchidos da Valpolicella e queijos da Lessinia. Nesse caso, o Monte Veronese que já provou na malga de manhã reencontra-o no copo à tarde — e a diferença sente-se toda.
Quanto tempo é necessário para a jornada completa?
Calcule: 45 minutos de carro de Verona à Lessinia, 1–1,5 horas na malga (visita + compras), 30 minutos de transferência para a Valpolicella, 1,5 horas para a visita à adega com prova. Regresso a Verona antes das 19:00 se partir às 9:30. Dia cheio, nunca frenético.
É necessário o Verona Card para este itinerário?
Não. O Verona Card é pensado para os museus e os monumentos do centro histórico. Para malghe e adegas paga-se diretamente no local — muitas vezes com preços fixos acordados na reserva, entre 15 e 30 euros por pessoa consoante o percurso escolhido [⚠ A VERIFICAR: preços específicos de cada estrutura, a confirmar contactando a malga e a adega escolhidas].
Posso estacionar sem problemas na Lessinia e na Valpolicella?
Sim. Ambas as zonas estão fora da ZTL de Verona. As malghe dispõem de amplos espaços de estacionamento gratuito. Nas adegas da Valpolicella o estacionamento está quase sempre incluído na receção. A ZTL diz respeito apenas ao centro histórico de Verona, acessível de carro só em determinadas horas ou com uma autorização específica. Não afeta este itinerário.
Para a sua estadia em Verona, os apartamentos do The Verona Stay — perto da Arena (Via Roma 21) ou do Teatro Ristori — permitem-lhe partir de manhã cedo com o carro já pronto, sem os tempos mortos das transferências do Lago de Garda ou do aeroporto. Consulte a disponibilidade em theveronastay.it.