Suba em direção à Lessinia em qualquer manhã de primavera e perceberá imediatamente por que este queijo tem o sabor que tem. O ar traz o cheiro de erva molhada e flores silvestres. As vacas pastam em encostas voltadas para o sul. O Monte Veronese DOP não nasce de uma receita, nasce de uma paisagem.
Há porém um detalhe que a maioria dos turistas — e muitos veroneses — desconhece. O termo "Monte" não indica a montanha. Deriva do dialeto veronês monta, que significa "ordenha". É o queijo da ordenha, do momento exato em que o leite deixa a vaca e se transforma em outra coisa. Uma etimologia que conta tudo sobre a identidade deste produto.
Monte Veronese DOP: o que você precisa saber antes de prová-lo
O Monte Veronese DOP é produzido exclusivamente na parte setentrional da província de Verona, entre a Lessinia, o Monte Baldo e a faixa colinar pré-alpina. A produção nessa zona está documentada já antes do ano Mil, quando as formas de queijo circulavam como moeda de troca.
No século XIII chegaram os Cimbros, colonos de origem bávara que obtiveram o usufruto das terras montanhosas da Lessinia, então quase desabitadas. Trouxeram consigo técnicas precisas de fabricação de queijo e encontraram pastagens perfeitas. Desse encontro entre o saber nórdico e o território vêneto nasceu a tradição que perdura até hoje. O leite provém exclusivamente de vacas das raças Frisona, Bruna e Pezzata Rossa, criadas na província de Verona.
Existem três variedades do Monte Veronese DOP, cada uma com uma personalidade distinta:
- Latte Intero (rótulo verde-claro) — queijo fresco, produzido com leite de vaca integral. Pronto a partir do 25º dia, a consumir até os 60 dias. Tem aroma de nata e manteiga fresca; ao paladar é doce, quase leitoso. É a versão ideal para quem o experimenta pela primeira vez.
- D'Allevo (rótulo azul-claro) — produzido com leite parcialmente desnatado, maturação mínima de 90 dias até dois anos ou mais. Massa compacta, casca palha, sabor que se vai tornando progressivamente mais fragrante e levemente picante. Muitos queijeiros evitam a pasteurização precisamente para preservar os aromas do pasto.
- Di Malga — Presídio Slow Food — a versão mais rara. Produzido exclusivamente com leite de alpeggio, recolhido de vacas que pastam em altitude de maio a outubro. O risco de desaparecimento era real: o leite de alpeggio era misturado ao de estábulo, perdendo o seu valor identitário. Hoje é um Presídio Slow Food e merece uma pesquisa dedicada.
Por que em 2026 o Monte Veronese está mais vivo do que nunca
O 2º Relatório sobre o Turismo DOP 2026 — elaborado pela Fondazione Qualivita com a Origin Italia e o apoio do Ministério da Agricultura — certificou que o Vêneto é a primeira região italiana em turismo ligado às produções DOP e IGP. Nesse contexto, o Monte Veronese posicionou-se em segundo lugar no Vêneto pelo número de atividades turísticas geradas, superado apenas pelo Prosecco di Conegliano Valdobbiadene.
Não é um dado abstrato. Significa queijarias abertas aos visitantes, laboratórios práticos, caminhadas noturnas nos alpeggi. Significa que fazer turismo gastronômico nos arredores de Verona é hoje um percurso estruturado, não uma improvisação.
O evento mais importante do ano é a Festa Storica del Formaggio Monte Veronese DOP em Erbezzo, aldeia da Lessinia a cerca de 40 minutos de Verona. Em 2026 realizou-se a 34ª edição (31 de maio): desfiles em traje histórico, premiação do "Melhor Monte Veronese DOP" nas diferentes maturações, degustações guiadas — incluindo a dedicada ao queijo di malga do Presídio Slow Food — e o laboratório "Un'ora da casaro", completamente gratuito, onde se aprende a transformar leite fresco em queijo com as próprias mãos. Uma experiência que vale a viagem.
Se não quiser afastar-se do centro histórico de Verona, o Monte Veronese DOP encontra-se durante todo o ano em qualquer boa salumeria ou enoteca do centro. A combinação recomendada pelos queijeiros locais: o fresco com mel de castanheiro ou geleia de cítricos; o d'allevo com um copo de Valpolicella ou Bardolino DOC, os vinhos que crescem quase na mesma terra.
Onde se compra o Monte Veronese DOP em Verona?
As salumerias e as enoteche do centro histórico têm-no em sortido quase sempre. Para prová-lo diretamente dos produtores, o mercado de Erbezzo durante a Festa Storica é a melhor ocasião. O site oficial do Consórcio (monteveronese.it) mapeia os queijeiros aderentes na província.
Qual é a diferença entre latte intero e d'allevo?
O latte intero consome-se fresco (25-60 dias), com sabor doce e leitoso. O d'allevo matura de 90 dias até dois anos: massa mais compacta, aroma intenso, fundo levemente picante. São dois queijos diferentes que partilham o mesmo nome.
O Monte Veronese encontra-se facilmente fora da província?
Com menos facilidade do que merecia. O Consórcio conta com cerca de 8 queijarias e 150 fornecedores de leite — volumes contidos em comparação com outras DOP vênetas. Precisamente por isso tem um caráter artesanal que se percebe claramente no sabor.
Ficar hospedado no centro de Verona significa ter a Lessinia a meia hora de carro e voltar à noite com uma forma de d'allevo na bagagem. Os apartamentos de The Verona Stay — próximos à Arena e ao Teatro Ristori — são o ponto de partida ideal para explorar o território, da cidade scaligera até os pastos de altitude.